Domingo, 23 de Outubro de 2011

Reunião de Câmara de 19 de Outubro

A minha forma de agir, na política como na vida, persegue objectivos bem definidos, pautados pela razão e pela lógica.  

Contrariando muitos que têm da política uma visão distorcida, egoísta e revanchista, entendo que o papel da chamada oposição não tem de ser o da política do bota-abaixo, só porque o «poder» não está no «nosso partido».

Os políticos são eleitos pelo povo para defender os seus direitos, para proteger a Nação e lutar para que nela exista equidade e paz social.

O poder defende o bem comum contra os interesses particulares e fixa as obrigações que têm uns para com os outros e para com o Estado.

Por isso, não faz sentido, para mim, qualquer atitude de sistemáticos protestos, quer especificamente, quando estejam em jogo interesses particulares de amigos e correligionários, quer em casos de «pequena política» e muito menos em casos de duvidosos interesses materiais.

A oposição política critica, põe em causa ou contesta o governo e os partidos do poder. Mas fá-lo usando a ética e a justiça; e para mim, ética e justiça social não são expressões sem sentido. Jamais votarei contra uma medida que me pareça justa e legal. Como jamais votarei contra deliberações injustas, discriminatórias ou ilegais.

 

Há algumas semanas, o governo decidiu retomar uma medida que já vinha de governos anteriores: a Reforma da Administração Local, num projecto que baptizou de «Documento Verde».

Tratando-se da eventual reformulação do mapa das unidades de administração local, entendo que o assunto deveria já ter sido objecto de uma análise no seio do executivo municipal. A verdade é que não o foi (ou se foi, limitou-se a sê-lo no recato de apenas «alguns» vereadores, num claro menosprezo pelos considerados vereadores da oposição, como se estes não integrassem, de pleno direito, o executivo municipal.

 

Por essa razão, na reunião do passado dia 19, apresentei o seguinte

REQUERIMENTO

O Documento Verde da Reforma da Administração Local, recentemente divulgado, visa “lançar o debate político, estabelecer os princípios orientadores e os critérios base, promovendo o estudo e a análise do suporte legislativo em vigor”.

No cronograma que respeita ao Eixo 4 – Democracia Local, preconiza-se que no 4º. trimestre do presente ano de 2011, se realizará a “discussão e debate público sobre os princípios e critérios orientadores”.

Uma vez que este programa da Reforma da Administração Local indica que o “tronco estrutural único” deste processo “tem como objectivo a sustentabilidade financeira, a regulação do perímetro de actuação das autarquias e a mudança do

paradigma de gestão autárquica”, é inegável o interesse que esta reforça constituirá em todo o processo da Democracia Local.  

Penso, por isso, que urge realizar a “discussão e debate público” que o Documento refere; mas, como até agora, não tenho conhecimento de qualquer iniciativa deste Executivo com o objectivo referido.

 

Assim, venho requerer ao senhor Presidente da Câmara Municipal de Loulé que indique se e quando está prevista a discussão deste Documento no seio do Executivo Municipal, bem como os demais esclarecimentos adicionais que julgue por bem e oportuno divulgar sobre esta matéria.

 

Resposta

O senhor Presidente respondeu: “Não temos conhecimento de mais nada além do documento apresentado. Tem sido anunciado nas medidas um debate alargado mas não o conhecemos. Concordo com um debate quando tivermos mais elementos e centrado na Assembleia Municipal”.

 

Comentário
Acredito que a autarquia não tenha “conhecimento de mais nada”. E se assim for, resta-me lamentar que, neste caso, a Câmara esteja a fazer o papel de marido enganado.

Mas é-me difícil aceitar que a Câmara apenas aceite fazer o debate “centrado na Assembleia Municipal”.

Porquê só ali??? Não podemos saber o que pensa cada um dos colegas da vereação?

É que, sendo o debate apenas “centrado na Assembleia Municipal”, dado o «papel de embrulho» e de «corpo presente» que está reservado aos vereadores nessas assembleias… nunca o saberemos.

- o – o – o – o – o -

 

publicado por hortense morgado às 23:48
link do post | favorito
Sábado, 8 de Outubro de 2011

SEXTA À NOITE

O concerto de música antiga

Ontem assisti a um concerto na igrejinha velha de Quarteira. Era um trio a tocar música antiga. Não se pode dizer que o concerto me despertasse um entusiasmo especial.

É que eu sou o produto de uma escola felizmente ultrapassada, onde o importante era saber ler, escrever com poucos erros e fazer contas certas, com prova real. Contas com muitos algarismos no multiplicando, muitos no multiplicador; e vírgulas, cuja razão não se chegava a perceber.

Acessoriamente, a «minha» escola obrigava-me a decorar nomes de rios cujas águas nunca verei e centenas de estações de caminho de ferro onde nunca «embarcarei». Era essa a escola do Estado Novo, onde as lendas se confundiam com factos históricos e onde Jesus Cristo estava na parede, ladeado de um Salazar muito jovem e de um Américo Tomás, com aquele ar de alforreca… de quem não percebia porque tinha de estar ali.

Era a escola onde o quadro negro e a régua eram «materiais didácticos» e onde as coisas do espírito e do corpo não tinham lugar. Por isso, a educação física não existia, como nem sequer se pensava em matérias como educação artística.

Assim, os meus conhecimentos musicais ficaram limitados aos nomes dos cantores «da moda» e às canções do festival da Eurovisão.

Diz-me o maridão, troçando, que tenho ouvido de pedra e a afinação vocal semelhante ao chiar das rodas de uma locomotiva à chegada à estação. Brincadeiras que me não magoam e que servem para uma boa gargalhada de descompressão, nas viagens mais longas.

Ele, sim, não dispensa um concerto e gosta de me levar consigo, mesmo sabendo que eu nem percebo quando é o momento de bater palmas e nem se ri se eu pergunto se «aquilo é um violino grande ou um violoncelo», e me sussurra ao ouvido que não; que aquilo é uma viola de gamba, ou se me mostro admirada por ver um «piano tão pequenino» e ele me indica, a dedo, no programa, que aquilo não é um piano, mas sim um cravo…

Começa tarde, a minha educação musical. O engraçado é que, geralmente, acabo por gostar do que oiço.

Ontem, por exemplo, gostei bastante. Saí da igrejinha velha com uma tranquilidade que nem sei explicar, ao fim daqueles três quartos de hora de música de outros tempos.

Mas outro sentimento me invadiu – o da satisfação de ver a igreja quase cheia de ouvintes interessados.

Que a maior parte dos assistentes nem era de Quarteira, ou que eram estrangeiros – dizem-me.

E daí?! Se vêm à minha terra para participar numa actividade cultural, são bem-vindos. E se o concerto é bom, a cidade sai prestigiada.

E se são estrangeiros que cá moram, que tem isso? Se moram connosco, fazem parte da nossa comunidade. São os «nossos» estrangeiros; pessoas que, como nós, lamentarão, certamente, a falta de uma confortável sala de espectáculos e a «raridade» de eventos culturais em Quarteira…

- o – o – o – o – o -

publicado por hortense morgado às 14:04
link do post | favorito
Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

Lembram-se da História?

Implantação da República

Na segunda metade do século XIX existia uma grave crise económica, política e social. O povo estava descontente com os preços dos produtos comerciais e, em geral, com as débeis condições de vida.
As principais fábricas do país situavam-se no Porto e em Lisboa, onde trabalhavam operários, de modo a que o resto da população trabalhava no campo com difíceis condições de vida.
Portugal estava a atravessar uma fase difícil e com muitas dívidas. Por isso teve que pedir dinheiro emprestado ao estrangeiro. Para pagar os juros, o rei aumentou os impostos.
A oposição aproveitou a comemoração do tricentenário da morte de Luís de Camões para a divulgação das suas ideias e provocar um alvoroço popular e exigir a diminuição dos impostos.

O rei fez ouvidos de mercador e, ainda por cima, os ingleses que, por esse tempo dominavam o comércio e a banca mundiais, vieram exigir que o governo português retirasse o exército das terras africanas que, sabe-se lá porquê, os ingleses consideravam como suas. Os nossos «mais antigos aliados» nem vacilaram: se a sua ordem não fosse cumprida, declarariam guerra a Portugal.

Timorato, sem dinheiro, sem exército, o rei submeteu-se a tão despropositado ultimato.

A revolta crescia no povo oprimido e Alfredo Keil (Música) e Henrique Lopes de Mendonça (letra) espelham esse sentimento no que viria a ser o Hino Nacional.

O regicídio acontece quase como uma inevitabilidade inútil. A monarquia cai.

Implanta-se a República em 5 de Outubro de 1910 e renasce a esperança.

 

Mas o estribilho do fado repete-se: não é o povo «quem mais ordena»; mas continua a ser o povo quem mais paga.

Vivemos agora outro ultimato: não são os ingleses que nos ameaçam com a guerra – são a banca mundial, a hipocrisia americana e a ânsia de poder dos alemães que nos acenam com a possibilidade… de nos não emprestarem dinheiro para pagar salários… e juros.

Desde que Ernâni Lopes equilibrou as Finanças para o governo de Soares, voltamos ao princípio:

Nesta primeira metade do século XXI existe uma grave crise económica, política e social. O povo está descontente com os preços dos produtos e, em geral, com as fracas condições de vida.

«Portugal está a atravessar uma fase difícil e cheio de dívidas. Por isso teve que pedir dinheiro emprestado aos estrangeiros... »
O estribilho do nosso fado, repete-se: é o povo quem paga. E paga o quê? - A incapacidade e incompetência de quem nos tem governado desde então.

- o - o - o - o - o -

tags:
publicado por hortense morgado às 14:59
link do post | favorito

*quem sou eu

*Escreva-me

Este blog foi criado para si. Serei intérprete, junto da Câmara Municipal de Loulé, dos anseios, das sugestões ou das reclamações que os munícipes queiram enviar- me. Responderei tão depressa quanto me seja possível. hortense.morgado@sapo.pt

*pesquisar

 

*Outubro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


*posts recentes

* LÍDER DA BANCADA SOCIALIS...

* REMANDO CONTRA A MARÉ

* SONHEI QUE PODERIA SER ÚT...

* REUNIÃO DE CÂMARA DE 11 A...

* REUNIÃO DE CÂMARA DE 28 D...

* REUNIÃO DE CÂMARA DE 14 M...

* DIA INTERNACIONAL DA MULH...

* Reunião de Câmara 29/Feve...

* R. CÂMARA 15/FEVEREIRO e ...

* Reunião de Câmara de 1 de...

* Reunião de Câmara de 18 d...

* Reunião de Câmara de 11/J...

* Ano Novo

* Onde começa e acaba o esp...

* DIA DE Nª. Sª. DA CONCEIÇ...

* Cartinha ao Menino Jesus

* UMAS «FÉRIAS» MERECIDAS

* Reunião de Câmara de 19 d...

* SEXTA À NOITE

* Lembram-se da História?

*tags

* mensagens

* noticias

* o meu diário

* reuniões de câmara

* todas as tags

*arquivos

* Outubro 2012

* Agosto 2012

* Abril 2012

* Março 2012

* Fevereiro 2012

* Janeiro 2012

* Dezembro 2011

* Outubro 2011

* Setembro 2011

* Agosto 2011

* Julho 2011

* Junho 2011

* Maio 2011

* Abril 2011

* Março 2011

* Fevereiro 2011

* Janeiro 2011

* Dezembro 2010

* Novembro 2010

* Outubro 2010

* Setembro 2010

* Agosto 2010

* Julho 2010

* Junho 2010

* Maio 2010

* Abril 2010

* Março 2010

* Fevereiro 2010

* Janeiro 2010

* Dezembro 2009

* Novembro 2009

*links

*Visitas desde 09.11.2

web tracking

*estar atento

blogs SAPO
RSS