Sábado, 4 de Dezembro de 2010

O TEMPO TRAZ A VERDADE E A RAZÃO...

O Governo sempre teve interesse na implantação do Ikea

Estive ontem na assinatura do acordo estabelecido entre a Câmara Municipal e os responsáveis do Grupo Ikea em Portugal, que formaliza um contrato entre ambas as entidades para que os segundos realizem o PUCE – Plano de Urbanização Caliços Esteval.

Se, da parte do Presidente da Câmara, se escutaram os argumentos que sempre manteve – que o empreendimento será do maior interesse, capaz de gerar emprego directo e indirecto, e que a localização pretendida é a que melhor garante uma nova centralidade – já as «revelações» do Secretário de Estado, Dr. Fernando Serrasqueiro, foram demolidoras para os adversários tanto da localização como das circunstâncias em que o processo se gerou.

O senhor Secretário de Estado foi claro: o empreendimento é do maior interesse para o Governo e, desde o início, sabia que o Grupo Ikea «ameaçava» que se lhe fosse vedada a escolha do local, desistiria das suas intenções e iria instalar-se em Espanha.

O Secretário de Estado tinha acabado de conferenciar com ambas as partes que vinham mantendo um conflito de interesses e, na cerimónia pública, perante todos, voltou a garantir que ao Grupo Ikea nunca lhe interessou o terreno proposto pelo grupo que integra a Auchen, pelo que o «casamento» é impossível.

Aliás, o property manager to Spain and Portugal for Inter Ikea Centre Group, confirmaria em absoluto, as declarações de Fernando Serrasqueiro.

Em conversa com Kristina Johnansson, country manager do Ikea Portugal, escutei de sua boca que, desde sempre, o Grupo Ikea se desinteressou da parceria, quando os «parceiros» lhe pretendiam impor a localização nos seus terrenos da Campina.

 

Pensamento próprio vs caixa de ressonância

Depois de escutar Serrasqueiro, posso, portanto, confirmar o que era óbvio: para o Governo português (Governo da responsabilidade do Partido Socialista, note-se) a instalação do Ikea sempre foi bem aceite, acarinhada e, sobretudo, bem-vinda.

Era lógico. Sempre foi lógico para qualquer pessoa medianamente inteligen-te e com pensamento próprio.

Recordemo-nos que, pelo contrário, os responsáveis da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de Loulé assim não entendeu e usou o meu voto favorável à elaboração do plano de urbanização da área onde o grupo pretende instalar-se como um dos argumentos para me retirar a “sua” confiança.

Repare-se: votei favoravelmente – e apenas – a decisão de mandar elaborar um plano de urbanização.

 

Disciplina de voto

A questão da disciplina de voto foi, desde sempre, muito controversa. Pode-se mesmo questionar se essa submissão imposta pelos partidos políticos, não constitui uma violação primária da natureza do voto, que a Constituição Portuguesa considera como um direito pessoal.

É difícil aceitar que alguém possa ser coagido a votar contra a sua consciência, independentemente de qual o seu estatuto, quando é «sua» a titularidade do direito de voto.

É uma imposição que não é apenas imoral, mas, pior do que isso, é um absurdo.

As pessoas não podem esquecer que os partidos políticos são agremiações que concorrem para a formação do poder político, mas que não são a fonte dele. Pelo menos, é o que diz a nossa Constituição.

E, no entanto, parece que andam por aí muitas confusões - e, sendo «políticos com alvará» a confundi-lo, é imperdoável – sobre a origem da soberania e sobre quem tem o direito de exercê-la.

 

Disciplina de voto... contra os interesses da Nação

Disse há dias, António José Seguro, em entrevista, que “a disciplina de voto deve existir exclusivamente para as questões da governabilidade e para o contrato eleitoral”. Mesmo para além do que escrevi anteriormente, posso aceitar este postulado de Seguro.

Ora, no caso presente, mesmo sem que a questão da instalação de um empreendimento comercial se trate de uma questão, de “governabilidade” ou de “contrato eleitoral”, por motivos que não me interessa aqui descortinar ou discutir, entendia o responsável máximo da Comissão Política do Partido Socialista de Loulé, que a disciplina do «seu» voto deveria ser aceite e aplicada pelos Vereadores eleitos para a Câmara Municipal.

Não interessou à Comissão Política que o empreendimento Ikea terá “uma influência que vai para lá de Portugal”, como disse Fernando Serrasqueiro, ou no empenho, por parte do Governo, para que “este e outros investimentos possam ter êxito em Portugal”. Enfatizou o governante “o nosso interesse (do Governo) para que o investimento se faça em Portugal e possamos trazer para aqui os diferentes grupos, que valorizam a economia portuguesa, acrescentem valor e, sobretudo, numa fase em que isso é imprescindível, possam ter um impacto positivo nas nossas exportações. Estamos perante um bom exemplo pois este é um projecto que vai ter um impacto significativo na economia desta zona e de Portugal”.

Nada disso preocupou a Comissão Política e os seus responsáveis. Interessou-lhes apenas a «sua» vontade, os «seus» interesses, que passavam pela imposição da disciplina de voto.

Nada lhes interessou a salvaguarda do interesse público e nem lhes interessou que o plano de urbanização se destine a um enquadramento nas leis do Ordenamento do Território; interessou-lhes, sim, a «sua» vontade na disciplina de voto.

Resta saber que razões lógicas, inteligentes ou políticas levaram a que Vereadores e Deputados municipais fossem levados a votar contra a deliberação de se proceder à elaboração do Plano de Urbanização Caliços-Esteval.

Que – como demonstrou Serrasqueiro – o mesmo é dizer... CONTRA OS INTERESSES DO PRÓPRIO GOVERNO DA NAÇÃO. QUE, POR ACASO, ATÉ É DO PARTIDO SOCIALISTA.

 

Pela minha parte, continuarei a exercer com todas as minhas capacidades, mesmo que limitadas e mesmo que sem a confiança da Comissão Política do PS Loulé, continuarei a ter «pensamento próprio» e pugnarei, segundo a minha consciência, em prol do Concelho de Loulé e, sobretudo, das suas Gentes – que são as Minhas Gentes.

 - o – o – o – o – o -

publicado por hortense morgado às 16:52
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